Chef usa comida para falar de desigualdade racial

Com a concentração de muita grana nas mãos de poucas pessoas a desigualdade aumenta, resultando em um monopólio de privilégios para a minoria da população.

Detentor de um dos números mais baixos na lista do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), o Brasil caiu 17 posições nos últimos tempos, aparecendo entre as 10 nações mais desiguais do mundo. Aqui, a questão racial é decisiva, já que os negros respondem por mais de 70% dos mais pobres. Nos EUA, as coisas não são muito diferentes, os afro-americanos também estão nas camadas mais baixas.

E para chamar a atenção contra o conceito de meritocracia e com a exclusão racial, um restaurante de Nova Orleans resolveu cobrar 18 dólares (mais ou menos 58 reais) a mais de clientes brancos.

A ideia partiu do chef nigeriano Tunde Way e funciona assim, ao chegar o cliente opta por pedir o prato mais barato da casa por 12 dólares (39 reais), mas se esta pessoa for branca, o preço sugerido sobe para 30 dólares (R$97).

“O preço base está disponível para todos os clientes e o valor mais elevado é sugerido aos brancos. O diferencial nos valores representa o tamanho dos tributos cobrados de moradores negros e brancos em Nova Orleans”, explica o chef ao site Konbini.

Polêmica, de acordo com Tunde a medida vem sendo bem recebida pela maioria dos clientes brancos, 78% para ser exato. Contudo, ele admite certa apreensão com os resultados de sua decisão.

Antes de servir a comida, Tunde Way discursa brevemente sobre as disparidades entre famílias negras e brancas nos Estados Unidos. A fala é baseada em dados demonstrando por exemplo um maior investimento de brancos em educação com relação aos negros. 60 mil dólares e $ 113 mil, respectivamente. A interação dura aproximadamente 15 minutos.

Com o método, o chef demonstra a possibilidade de se discutir raça em hábitos cotidianos como uma refeição. E você, o que achou? conta aqui!

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